A pergunta mais comum quando se fala de Model-Based Systems Engineering (MBSE) é simples de formular, mas difícil de responder: por onde começar?
A realidade é que o MBSE não é uma receita rápida, mas sim uma combinação de processos, metodologias, papéis, responsabilidades, governação e entregáveis. A isto juntam-se as ferramentas de software, que acrescentam a sua própria complexidade. Para quem está a começar, o panorama pode ser avassalador.

Este artigo propõe um percurso prático e progressivo para dar os primeiros passos em MBSE sem se perder no processo.

1 – Diferenciar SE e MBSE

Um erro comum é pensar que Systems Engineering (SE) e MBSE são a mesma coisa.

  • SE: é o processo de desenvolvimento do ciclo de vida de um produto.
  • MBSE: é a metodologia que documenta e apoia esse processo utilizando linguagens e ferramentas, como o SysML.

Sem compreender o SE, lançar-se de imediato no MBSE é como tentar construir uma casa começando pelo telhado.

2 – Começar pelo básico: o V-Model

O V-Model oferece uma representação simples e didática do desenvolvimento de produto:

  • Captura de requisitos
  • Definição de arquitetura
  • Implementação
  • Verificação
  • Validação

Trata-se de um esquema compreensível e aplicável tanto a projetos mecânicos, elétricos, eletrónicos como de software.

3 – Mapear o V-Model com a ISO/IEC 15288

Uma vez assimilado o V-Model, convém ligá-lo à norma ISO/IEC 15288: Systems and Software Engineering — System Life Cycle Processes.

Por exemplo:

  • BMA (Business & Mission Analysis), STNRD (Stakeholder Needs & Requirement Definition) e SRD (System Requirement Definition) correspondem à fase de requisitos no V-Model.
  • A norma acrescenta mais detalhe: identificação de stakeholders, definição de use cases, critérios de validação, etc.

Este exercício permite aprofundar os aspetos técnicos sem perder a visão global.

4 – Introduzir o SysML no processo

O passo seguinte é aprender a capturar a informação do processo com SysML. Esta linguagem permite modelar requisitos, identificar stakeholders, definir casos de uso e testes, analisar riscos, comparar alternativas, descrever arquiteturas e traçar a validação.

No início pode parecer complexo, mas o valor que acrescenta é enorme. O erro típico é começar diretamente com SysML sem antes ter compreendido os processos de engenharia de sistemas: é daí que surgem muitas frustrações.

5 – Integrar o MBSE com o ecossistema de desenvolvimento

O MBSE não termina no SysML. A verdadeira potência surge ao ligar essa informação a outros processos:

  • PLM para o design mecânico
  • ALM para o desenvolvimento de software
  • Ferramentas de simulação e verificação

Tudo isto faz ainda mais sentido quando se trabalha numa plataforma integrada que garanta a rastreabilidade de ponta a ponta. Um exemplo disso é a 3DEXPERIENCE, que permite convergir processos de engenharia, design, simulação e gestão num único ambiente.

Conclusão

Entrar no MBSE pode parecer um desafio, mas com um caminho claro — compreender o SE, praticar com o V-Model, ligar à ISO/IEC 15288, aprender SysML e integrar plataformas — torna-se uma evolução natural do desenvolvimento de produtos.

Mais do que uma moda, o MBSE é uma forma de ganhar rigor, colaboração e eficiência na engenharia de sistemas. O primeiro passo não é aprender uma ferramenta, mas compreender o processo que queremos melhorar.

MBE Centre of Excellence

Na CADTECH, como parte da CT, contamos com um Centro de Excelência em Model-Based Engineering (MBE), formado por uma equipa de especialistas que acompanha as empresas nesta jornada: desde os primeiros passos na definição de processos até à implementação de plataformas integradas como a 3DEXPERIENCE.

Se estás a avaliar como iniciar ou consolidar a tua estratégia MBSE, a nossa equipa pode ajudar-te a transformar a complexidade num caminho claro e estruturado.

Departamento de Comunicação da CADTECH

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