Durante anos, muitas empresas industriais trabalharam com informação fragmentada entre engenharia, produção e planeamento. O resultado costuma ser o mesmo: erros de interpretação, alterações mal sincronizadas e decisões tomadas sem uma visão global da fábrica.

Precisamente para resolver este problema nasce o modelo PPR: Product, Process & Resource.

Tal como explica Juan Carlos Portugues, da Dassault Systèmes, durante a nossa conversa na Advanced Factories, este modelo liga produto, processos e recursos num ambiente digital comum.

Mas… o que significa realmente isto na fábrica?

O grande problema de muitas fábricas: cada área trabalha de forma separada

Em muitas organizações:

  • a engenharia define o produto,
  • a produção define como fabricá-lo,
  • e o planeamento tenta coordenar recursos e capacidades.

O problema surge quando estes mundos não estão ligados digitalmente.

Então começam:

  • versões desatualizadas,
  • interpretações manuais,
  • erros de fabrico,
  • alterações mal comunicadas,
  • e falta de coerência entre design e execução.

O modelo PPR elimina precisamente essa desconexão.

O que significa PPR

Product

A definição completa do produto:

  • estrutura,
  • configurações,
  • componentes,
  • revisões,
  • variantes.

Process

Como deve ser fabricado:

  • operações,
  • sequência de montagem,
  • instruções,
  • tempos,
  • validações.

Resource

Com que recursos é executado:

  • máquinas,
  • ferramentas,
  • operadores,
  • linhas,
  • robots,
  • capacidades disponíveis.

Quando estes três elementos estão ligados digitalmente, a fábrica ganha coerência e capacidade de reação.

Validar antes de fabricar

Um dos pontos mais importantes do modelo PPR é a possibilidade de validar virtualmente um processo antes de o levar para a fábrica.

Isto permite:

  • detetar problemas antes de produzir,
  • simular cenários,
  • avaliar capacidades,
  • otimizar cargas,
  • e analisar o impacto de alterações de engenharia.

Por outras palavras:
a empresa deixa de reagir aos problemas e começa a antecipá-los.

Menos ambiguidade, mais coerência

Muitas incidências no fabrico não surgem por falhas técnicas complexas, mas sim por algo muito mais simples:
a informação não coincide entre departamentos.

O modelo PPR ajuda a eliminar essa ambiguidade:

  • todos trabalham sobre a mesma informação,
  • as alterações são sincronizadas,
  • e as operações mantêm coerência durante todo o ciclo de vida do produto.

DELMIA como ambiente unificado

Tal como é referido na entrevista, muitas empresas implementam esta abordagem através da plataforma DELMIA integrada no 3DEXPERIENCE.

Isto permite:

  • planear operações,
  • validar processos,
  • simular produção,
  • e ligar engenharia e fabrico dentro do mesmo ambiente digital.

O resultado é um fabrico mais previsível, flexível e eficiente.

Conclusão

O modelo PPR não é apenas uma metodologia tecnológica.
É uma forma de ligar digitalmente a forma como um produto é concebido com a forma como realmente é fabricado.

E num contexto industrial onde as alterações são constantes, dispor dessa continuidade digital já não é uma vantagem competitiva:
começa a ser uma necessidade.

Departamento de Comunicação da CADTECH

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